O Pescador nº 40

O Natal Pós- Moderno
* Pe. Manoel Henrique de Melo Santana

As ruas e lojas do comércio estão lotadas de pessoas preocupadas com as compras natalinas. Tempo para comprar os mais diversificados presentes para alguém: filho, namorada, mãe, avô, amiga do escritório, para a tia... a preocupação estende-se até a cozinha, enfim, tem que se preparar as comidas típicas da ocasião, as bebidas, os doces e os salgados; tirar das gavetas as toalhas de mesa e guardanapos personalizados; pensar em uma mesa farta e muito decorada.
As casas estão enfeitadas, cada qual com sua decoração, algumas com visível notoriedade, até um pouco de ostentação, outras mais modestas, mas todas decoradas para um único fim: comemorar o Natal.
Gasta-se muito nesta época. E a hipocrisia também aumenta disfarçada em solidariedade. Alimentar pessoas com fome, dar presentes para crianças carentes, tratar bem o funcionário, ser gentil com a vizinhança, visitar asilos, não devem ser praticados somente dois dias antes do Natal para depois bater-se no peito e afirmar: eu sou solidário, caridoso, carismático ou simplesmente esconder atrás de um largo sorriso a intenção de candidatar-se para a próxima eleição.
Mas é este o verdadeiro significado do Natal? Seu real sentido? Não estaremos esquecendo seu motivo principal?
Jesus Cristo, o Verdadeiro Filho de Deus, foi enviado ao mundo para o Bem da humanidade. Era o herdeiro de Deus Pai Criador, dono de todas as riquezas, mas nasceu em meio à precariedade e falta de recursos. Nasceu em Belém em um curral, junto a animais e pessoas simples e pobres tais quais seus pais terrenos.
Naqueles tempos, não haviam mesas fartas, misturas de bebidas e drogas que matam, decorações extravagantes ou músicas em altos decibéis e letras de péssimo gosto.
Havia muito amor por parte de Nossa Senhora e São José, havia a reverência e a alegria dos pastores do campo e o cântico suave dos Anjos “Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra, aos homens de boa vontade!” Havia uma estrela que iluminava o céu, guiando os Reis Magos que vinham para adorar o recém-nascido Menino Deus que viera unir a humanidade e não separar como fazemos em nossos dias atuais. Cristo não separava classes, ricos, pobres, etnias... Jesus Cristo Nosso Senhor veio ao mundo por todos, para todos, sem acepções.
Este é o Verdadeiro Natal que nossa cegueira consumista de produtos de obsolescência programada vem a cada ano minando, gastamos o que pode nos fazer falta no ano, ostentamos o que não temos, aparentamos ser quem na verdade não somos. Natal é o aniversário do Menino Deus, que após tornar-se um homem feito muito fez pelos homens. Curou, amparou, aconselhou, ensinou, salvou. Ensinou-nos e fez-nos compreender que Natal comemora-se todos os dias ao acordarmos. Adorar a Deus, praticar a solidariedade, a humildade, a caridade. Disto não nos lembramos. Quantos de nós não entram em uma igreja ou não reúnem a família para rezar? Somos tão negligentes e mal agradecidos que na Véspera de Natal ao invés de participarmos dos ritos natalinos religiosos, até a hora da missa já nos excedemos na bebida alcoólica e, ao invés de uma linda festa entre amigos e familiares, conseguimos uma tragédia que acaba no hospital ou no cemitério...
Neste Natal que se aproxima, que tal fazermos diferente? Reunirmos nossa família para as orações e celebrações na igreja, reverenciando Jesus Menino, Jesus Nosso Senhor que muito fez e faz por nós todos os dias? Que tal após a missa ou culto ainda com a família reunida, diminuirmos todos os excessos pensando na alegria pura, no sorriso de nossas crianças, pensando em nossa segurança e na do próximo?
O Verdadeiro Espírito Natalino é este. Propagar a alegria no dia do aniversário de Jesus. Mantermos acesa em nós a serenidade, a verdade, o amor e a união que a Sagrada Família nos ensinou.
Claro que podemos e devemos cear, presentear, mas se podemos fazer tudo isto com mais responsabilidade e envolvendo-nos na Luz da religião, da fé, por que não tentarmos? Certamente será o Natal mais feliz e inesquecível de nossas vidas! Um ótimo Natal, amigo leitor! Muita Paz, Saúde e Felicidade com as Bênçãos de Jesus Menino!
*Pároco da Igreja São Pedro Apóstolo - Ponta Verde
Doutorando Université Grenoble 3
Notícias & Eventos
A PRIMEIRA EUCARISTIA
A noite de 25 de novembro aconteceu de forma especial e marcante para mais de 50 adolescentes que foram à Igreja de São Pedro receber a Primeira Eucaristia, cujo ato de fé foi acompanhado por uma plateia de pais, parentes e amiguinhos que, por certo, farão parte das próximas turmas do Catecismo... A nova geração da nossa Igreja. Pe. Manoel Henrique, com a sua peculiar tranquilidade e experiência de grandes eventos, conduziu a cerimônia com suavidade e carinho que o momento pedia, ajudado pela coordenação da Irmã Graciete e catequistas e pela assistência dos Pe. Lemos e Pe Antônio. Mesmo com a igreja lotada e o barulho de crianças movimentando-se e conversando na galeria e calçadas da igreja - o sacerdote conseguiu manter o foco dos adolescentes na bela Celebração que ficará gravada para sempre na mente destes novos convidados para a Ceia do Senhor.

O XII NORDESTE CANTAT
Entre 8 e 12 de novembro foi realizado a XIII Edição do Festival Internacional de Coros Nordeste Cantat, promovida pela Federação Alagoana de Coros (FAC). Como sempre acontece, todos os anos, os organizadores do evento fizeram uma prévia na Igreja São Pedro, noite de 8 novembro, na qual se apresentaram: Coral da 3ª Idade do Sesc; Coral da Polícia Militar da Bahia; Antique Cordova Ensemble (Argentina); Coral Vozes Prudentinas; Orfeão da Praia - Cabo Verde (Arquipélago do oeste da africano).

ORIGEM DA MISSA DO GALO
É uma comemoração cristã católica, foi instituída no ano de 143 pelo Papa São Telesforo devendo a mesma ser rezada à meia noite do dia 24 de dezembro. Desde o século IV um hino cantado em latim, neste mesmo horário, apontava o nascimento de Cristo, daí vem a afirmação que Cristo nasceu à meia noite e desde o século V a missa é rezada na Basílica de Santa Maria Maior.
A Roma de 330 passa a comemorar oficialmente o Natal Cristão em 25 de dezembro. Naquela época, os romanos comemoravam o Solstício de Inverno. Os pagãos festejavam o natal do Deus-Sol, o “Natalis Invictus.” Neste mesmo dia, os romanos passam a comemorar a posse do Deus-Imperador. Constantino, o Imperador cristão da época, decide substituir as festas pagãs com um sincretismo do culto ao Sol e ao Imperador. Instituiu que 25 de dezembro seria a festa de Natal do Sol da Justiça e da Luz do Mundo, Jesus Cristo. Como tinham por hábito preparar esta festa anteriormente, de 17 a 24 de dezembro, criou-se o Tempo do Advento para preparar o Natal de Cristo.
Não existe uma única versão para a origem da Missa do Galo. Relatos históricos afirmam que São Francisco de Assis deu início a esta tradição. Ele somente permitia que as pessoas visitassem seu presépio à meia noite do dia 24 de dezembro e então rezava a missa de Natal. Como galos têm por hábito cantar nas primeiras horas da madrugada, o povo batizou a missa de São Francisco como a Missa do Galo.
Outra versão afirma que os cristãos de Jerusalém do século IV peregrinavam até Belém onde ocorria a Missa de Natal, no canto do primeiro galo. Uma lenda do século V conta que um galo cantou à meia noite e teria sido a única vez que isto teria acontecido bem na hora da missa. Como romanos tinham o galo como animal sagrado na Antiga Roma que é o primeiro a anunciar que o dia está raiando, decidiram que por este ser o primeiro a ver os raios do sol, ele estaria louvando o nascimento do Senhor Jesus, então a missa ficou conhecida como a Missa do Galo. E outra lenda também do século V diz que fiéis, após voltarem da Missa do Natal, ouviram um galo cantar, então associaram o fato à missa.
Desde então, o galo foi tido como símbolo de vigilância, fidelidade e testemunho cristão e devido a este motivo a partir do século IX sua figura foi para o campanário (torres) das igrejas. Já para o Monsenhor José Roberto Rodrigues Devellard, coordenador da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese do Rio de Janeiro o nome Missa do Galo deve-se ao fato de que Jesus é nosso sol nascente que veio nos visitar, clareando a escuridão em que vivíamos.
Nesta celebração, todas as velas do Advento estão acesas. A igreja está toda iluminada e emoção toma conta de cada fiel que está feliz com o nascimento do Senhor Jesus. É a missa mais leve do ano. Embora a mais longa, a mais bonita...
Com as transmissões diretas de Roma, pelos canais católicos de televisão, o Vaticano mantém a Tradição de rezar esta missa à meia noite. E o Papa, em um cuidado especial, deseja um Feliz Natal aos fiéis em diversos idiomas.
Algumas cidades do Brasil ainda seguem a Tradição, porém são pouquíssimas. A violência crescendo, a falta de segurança fez com que o horário da missa fosse adiantado. Não tirou seu brilho especial, nem sua essência. Jesus a Luz do Mundo continua brilhando forte em cada celebração e nos corações dos que o seguem! Feliz Natal, leitor! Que este seja-lhe repleto de alegrias!
ORIGEM DA CEIA DE NATAL
A palavra ceia vem do latim: coena. Significa refeição que se toma à noite, geralmente sendo a última de cada dia. Segundo alguns religiosos a Ceia de Natal tem origem na Ceia Pascal do Antigo Testamento, durante a qual se reunia a família e ceavam um cordeiro pascal preparado exclusivamente para este fim, para lembrar, celebrar a libertação do povo de Deus que era escravo no Egito. Todo ano o povo de Israel fazia o mesmo ritual alegre porque o Deus dos Deuses, o Verdadeiro Deus os havia libertos da escravidão e uma vez liberto agora tinham como obrigação agradecer e lembrar.
Já os historiadores afirmam que a Ceia de Natal tem sua origem na Antiga Roma na festa pagã da Saturnália que acabava no dia 25 de dezembro. Nesta festa, eram servidos grandes banquetes. Como o Imperador Constantino era cristão e decidira que o Natal Cristão deveria ser comemorado no dia 25 de dezembro e o banquete de encerramento da Saturnália era à meia noite do dia 24 (portanto já 25 de dezembro) a mesa farta e decorada foi incorporada ao Natal Cristão para celebrar a alegria pelo nascimento de Jesus.
Outra versão nos conta que na Antiga Europa os europeus deixavam a porta de suas casas abertas na véspera de Natal. Assim se algum viajante ou peregrino passasse poderia entrar e cear com a família celebrando o Natal. Por isto afirma-se que esta é uma festa de confraternização entre as pessoas. Um momento feliz, de muita alegria. E uma outra versão nos revela que após a Missa do Galo era servida uma pequena refeição logo após a missa devido a esta ter sido muito longa. Com o passar do tempo, esta pequena refeição veio para dentro dos lares e aos poucos foi modificando-se até tornar-se um sofisticado banquete, mas uma vez comprovando-nos ser uma confraternização cristã.
A Ceia de Natal não deve ser apenas uma mesa farta, enfeitada. É um dia de festa no qual há todo um simbolismo envolvido. Devemos usar uma vela enfeitada no centro da mesa. Esta vela significa que Jesus, a Luz do Mundo, está presente sendo o convidado de honra, o aniversariante do dia. Preces devem ser feitas antes da refeição louvando o Deus Menino que veio ao mundo para nos salvar, conforme nos ensina o Novo Testamento, “Jesus Cristo – o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” A Ceia é um momento festivo que deve ser oferecido ao Nosso Senhor como agradecimento pelo que fez por nós. É um momento de alegria que devemos dividir com amigos e familiares, lembrando sempre do significado da vela do centro da mesa: Jesus Cristo é a Luz do mundo, o nosso Sol e Esplendor, nossa Luz; o Caminho, a Verdade e a Vida.
Neste Natal vamos propor que a Ceia seja do Aniversariante do Dia? Vamos decorar nossa mesa, fazer os pratos e ofertá-los a Ele que tanto fez e faz por nós. Vamos unir nossas famílias em oração, vamos à Missa do Galo, vamos diminuir os excessos que nos fazem mal e a tantas outras pessoas, vamos dar a Jesus um aniversário maravilhoso! Para nossa família e amigos, uma festa inesquecível onde o que conta é a união, a alegria de estarmos reunidos, o calor da fé e não nossa ignorância em querermos ser mais que nosso vizinho ou parente com menos recursos que nós e nem ostentarmos o que não somos. Lembremos que Jesus, o Filho do Verdadeiro Deus, o herdeiro, o dono de todas as riquezas, nasceu entre os pobres e entre os animais. Era dono de tudo, mas por amor nos ensinou o caminho da humildade, nascendo de uma menina pobre em um estábulo em Belém. Que seja este um Natal inesquecível!
A HISTÓRIA DOS PRESÉPIOS
Um dos símbolos natalinos mais fortes e com maior significado religioso cristão é o presépio, o qual provoca fortes emoções nas pessoas, principalmente àqueles que rezam em família, na noite de Natal, em frente ao presépio.
Conta a história que o primeiro presépio a ser criado foi o idealizado por São Francisco de Assis, em companhia de Frei Leão e com a ajuda do senhor Giovanni Vellina, em 1223, em uma gruta na floresta, na região do Greccio, Itália, com a finalidade de melhor explicar o Natal às pessoas comuns, camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus. Nessa época, a Igreja proibira a encenação de dramas litúrgicos, mas São Francisco ao conversar com o Papa pediu dispensa da proibição alegando que o presépio encenaria o nascimento do Senhor Jesus, portanto, não seria uma apresentação de um drama, mas sim, um lindo momento de alegria. O Papa permitiu e foi montado um cenário, o mais realista possível. Utilizaram para isso palha e argila, uma imagem do Menino Jesus, um boi e um jumento vivos perto dela e convidaram as pessoas, para ali celebrarem a Missa do Natal. São Francisco morreu dois anos depois, mas os frades franciscanos continuaram a encenação com as mesmas imagens e a missa natalina. Em 1986, a Igreja o proclamou Patrono Universal do Presépio.
Esta tradição chegou ao Brasil, trazida pelos colonizadores portugueses, por iniciativa do padre jesuíta José de Anchieta que apresentou o presépio aos índios. O costume espalhou-se pela Europa a partir do século XVIII, época que as pessoas começaram a montar o presépio dentro de suas casas. Como o passar do tempo sua forma foi sendo modificada, mas nunca sua essência. Há presépios de todos os tamanhos, feitos com os mais diversos materiais e montados em locais públicos, igrejas, praças, em lojas, empresas e dentro dos lares cristãos.
Em suas peças encontramos os seguintes significados: o Menino Jesus (o Filho Legítimo de Deus), a Virgem Maria (a Mãe de Jesus), São José (o Pai Terreno de Jesus), a Manjedoura com palha em um curral (local onde Jesus nasceu), Anjos (responsáveis pela anunciação da chegada do Senhor Jesus), a Estrela de Belém (que orientou os Reis Magos para chegar até Jesus), Pastores (representam a Simplicidade das pessoas do local onde Jesus nasceu) e os Reis Magos (Melquior, o branco, Baltazar, o asiático e Gaspar, o negro, que segundo alguns religiosos representam a União dos Povos).
A palavra presépio provém do latim e significa estábulo ou manjedoura.
Jesus Cristo, o Filho do Verdadeiro Deus, o dono de tudo, poderia ter nascido em palácio de ouro e no luxo, mas optou pelo simples, humilde e amoroso, ao nascer em uma manjedoura. O presépio vem nos lembrar disto e nos repassar valores importantes como a humildade, a doçura, a simplicidade das pequenas coisas que realmente nos trazem felicidade.
Montar um presépio é muito mais que uma tradição de Natal. É uma verdadeira lição de vida. A cada Natal onde retomamos este ato estamos ensinando às gerações vindouras o que é o Verdadeiro Ato de Amor...
AS VELAS DE NATAL!
Quem nunca ouviu a expressão “Natal é Luz?” Todos nós em alguma ocasião referente a esta data já ouviu falar e podemos dizer que nela está contida a mais pura verdade. Natal é uma data feita de simbolismos. Um de seus símbolos bem presentes nesta ocasião são as velas natalinas. A Igreja Católica tem como liturgia preparar o Natal. Esta fase é chamada de Advento de Natal. Advento significa “o que está por vir.” Corresponde às quatro semanas antes do Natal, mais precisamente, aos quatros domingos que o antecedem.
No Advento do Natal, em cada domingo, se ascende uma vela, cuja cor (três iguais e uma diferente) possui uma significação religiosa especial. As velas são dispostas sobre uma guirlanda ou grinalda confeccionada com ramos verdes. A cada vela acesa, é feita uma oração especial. No primeiro domingo, após a benção das quatro velas, acende-se uma vela roxa que significa a vigilância porque Nosso Senhor virá. Esta vela nos convida a refletir sobre o significado profundo e verdadeiro do Natal, ou seja, que Jesus veio para o Bem da humanidade. No segundo domingo, é acendida a segunda vela roxa que nos convida a nos arrependermos de nossos erros e nos prepararmos para a vinda de Nosso Senhor tal como fez São João Batista, seu precursor, que preparou os caminhos de Jesus e instruiu o povo sobre sua vinda. Alerta a nos lembrarmos da fé dos antigos Patriarcas, principalmente São João Batista. A terceira vela a ser acesa no terceiro domingo é a rosa. Esta significa a alegria da proximidade da chegada de Jesus. É o Domingo da Alegria. Lembra-nos da promessa de Davi que se cumpre em Maria. É o domingo especial dedicado a Nossa Senhora. E por fim, a quarta vela a ser acendida no quarto e último domingo do Advento é outra vela roxa significando que enfim Jesus chegou! É o momento em que se concretizam todas as profecias e promessas sobre a vinda do Salvador. Simboliza nossa fé em Jesus. As velas de cor roxa também significam a purificação de nossos corações em todos os momentos.
As Velas de Natal dizem que “Jesus é a Luz do Mundo.” Ele mesmo deixou dito: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue jamais andará nas trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12). Cada vez que acendemos uma vela na ocasião do Natal, devemos nos lembrar disto e que as velas apontam para um Cristo vivo e presente, que estará conosco em todos os momentos, que com sua Luz iluminará nossos caminhos e corações a fim de evitarmos os vícios que podem nos corroer, as pedras que nos farão tropeçar.
Além de deixar a decoração natalina mais bela, as velas tocam profundamente nosso sentimento. É o momento certo para refletirmos sobre o valor delas que vai muito além da decoração. Se percebemos que há uma beleza além é porque tem um significado maior. Jesus é este significado maior. O Nosso Salvador, nossa Luz, o aniversariante mais querido da Noite Feliz de Natal. A Ele toda honra e glória! Feliz Natal, estimado leitor!

ORNAMENTOS DE NATAL E SEUS SIGNIFICADOS
Simão Boscheco
Colaboração: Ivete Depeligrin
Na época natalina, nosso espírito fica mais calmo e inspirado a fim de comemorar o Nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo. As igrejas ganham coloridos e brilhos diferentes deixando os fiéis ainda mais alegres e felizes.
Cada peça da decoração tem um símbolo, um significado que nos leva a compreender melhor a comemoração desta data. Natal não é só uma representação, mas uma expressão da fé e cultura religiosa.
Vamos entender melhor o que cada peça decorativa representa dentro da nossa Igreja?
- As Cores de Natal são o vermelho e o verde e significam: o vermelho, o Sacrifício do Senhor Jesus pela humanidade, o verde, que a cor do pinheiro e que tem suas folhas voltadas para cima em direção ao céu, representa a Luz e a Vida Eterna);
- As Estrelas de Natal (a Estrela Maior, além de ser o guia dos três Reis Magos, é símbolo maior do anúncio do nascimento do Senhor Jesus e a esperança da humanidade; As Estrelas Menores significam o brilho eterno nos corações e o brilho interno de cada pessoa);
- Os Sinos do Natal (dizem respeito ao anúncio alegre aos pastores sobre o nascimento de Jesus. Refletem o som oficial do Natal, um convite a adorarmos);
- As Velas de Natal (significam a Fé, a Luz do Mundo, do Amor Universal, o Senhor Jesus);
- Os Reis Magos (estes têm duas significações: a primeira, sabedoria, pois não eram reis eram sábios que possuem duas mensagens ideológicas sendo a primeira, Jesus Cristo veio não somente para os judeus, mas para todos os povos do mundo. A segunda significação dos Reis Magos é a humildade, pois humildemente presentearam a Jesus. A segunda mensagem ideológica encontra-se nos presentes que ambos ofertaram ao Filho de Deus: o ouro (Jesus Cristo é o Rei dos Reis), o incenso (é o Filho de Deus) e a mirra (o Encarnado);
- O Anjo (o Maior deles representa Gabriel – o anjo que anunciou à Virgem Maria que ela fora escolhida para ser a mãe do Salvador do Mundo);
As Canções de Natal (datam do século IV) e, até hoje, são cantadas nas comemorações natalinas, representando a alegria dos anjos ao anunciarem ao mundo o nascimento do Nosso Senhor; O Presépio (réplicas do cenário onde Jesus nasceu); A Missa do Galo (representando o Compartilhar deste dia feliz e a União da Família na Fé).
A Árvore de Natal significa Vida, uma tradição mais antiga que o Cristianismo e não é exclusiva de uma única religião. Era costume no antigo Egito colocar galhos verdes de palmeira no dia mais curto do ano em dezembro, simbolizando a vitória da Vida sobre a Morte. As bolas coloridas da Árvore de Natal simbolizam “os frutos da árvore da vida,” - o Senhor Jesus.
A decoração natalina não está exclusividade das igrejas. Nesta época, casas, cidades, edifícios também têm sua decoração e, neles, encontramos mais significados como:
- As Guirlandas de Natal, feitas de flores significando o Amor de Deus que nunca termina e com galhos de pinheiro em formato de anel, simbolizando a Vida;
- As Meias de Natal (estas têm origem em um conto que diz que duas meninas pobres, passando por inúmeras dificuldades e necessitando de dinheiro para o seu dote de casamento, colocaram suas meias para secar na lareira. São Nicolau ao saber disto depositou em cada meia moedas de ouro a fim de ajudar estas meninas);
- As Luzes (o popular pisca-pisca, tem como significado o espalhar da alegria),
- Os Presentes (seguindo o exemplo dos Reis Magos que presentearam Jesus, o ato de presentear alguém na Noite de Natal, significa não somente fazer esta pessoa feliz, mas sim presentear a humanidade lembrando valores como a Solidariedade);
- Os Cartões de Boas Festas surgiram, no meado do século 19, simultaneamente em vários países Europa, encarado como uma solução rápida, barata e prática, para a época, substituídos hoje, pelos e-mails.
Todos os anos, há algumas “invenções” misturando-se à decoração tradicional que conhecemos... O importante é a sensação de alegria que ela nos proporciona, o encantamento, o bem-estar que sentimos ao entramos em ambiente natalino. Deve então ser por isto que nos sentimos com o espírito mais leve e bem quando nos lembramos da Verdadeira Razão pela qual isto acontece: o nascimento do Nosso Senhor que veio ao mundo por nós.
Vamos então aproveitar esta ocasião para, do fundo do coração, agradecer a Ele por seu amor e desprendimento por nós em cada enfeite que colocarmos em nossas igrejas e casas. Um Feliz Natal a todos os leitores do O Pescador!
BONDADE DE JESUS
A humanidade, oprimida pela tirania do paganismo, esperava ansiosa por algo de novo. Lá pelas bandas da Palestina, de há muito que profetas anunciavam a vinda de um rei que libertaria o mundo do jugo das leis injustas.
Em Roma, de um lado é Cícero falando de advento de um rei ao qual os homens deveriam render homenagens se quisessem salvar-se; de outro lado, é Virgílio cantando em versos magistrais o nascimento de “um menino misterioso, filho da Divindade, por quem toda criatura será renovada, e que esmagará a serpente, apagará o mal e estabelecerá a paz em toda a Terra”... O mundo confiante nas profecias aguardava este grande acontecimento. Eis senão quando, entre o findar de um dia de dezembro e o começar de outro aparece sobre a Terra este Ser tão desejado.
Realmente, é um mistério... Mistério de beleza física; mistério de beleza espiritual; mistério de amor, em uma palavra; mistério, porque é Deus. De agora em diante, viverá entre os homens, ensinará ao mundo os dois mais belos exemplos que traz bem dentro do Seu coração: o Perdão e o Amor.
Perdoar e Amar, esta foi a Sua missão, desde a linda Madalena, a pecadora de Magdala, até Pedro, o amigo que não soube corresponder com a amizade... Desde Zacheu, o ladrão rico de Jericó, até Dimas, o ladrão pobre do cume do Calvário... A todos perdoou e a todos amou. Em todas as cousas sabia ser sempre o lado bom. Judas O entrega com um beijo traiçoeiro, mas Ele ainda vê neste beijo um resquício de amizade, e por isso o chama ainda de amigo. Os judeus cometem toda espécie de selvageria na Sua crucificação, mas Ele ainda divisa nesta selvageria um ato de inculpabilidade e, por isto, diz: “Pai perdoai-lhes porque ele não sabem o que fazem”. Esta foi a Sua missão, Perdoar e Amar.
E, de outro modo, não poderia ser, porque se atrai mais com o Amor do que com o desprezo, e o Amor é a Lei que rege tudo, é a Lei de Deus deixada gravada em todas as cousas, pois Deus é Amor, e a própria obra da Redenção é obra de Amor. E porque soube atrair todos por Amor o Seu Natal é festejado em todos os recantos do orbe, desde os iglus de neve dos esquimós, até as tendas dos negros nas areias quentes dos desertos da África... Desde os luxuosos camarotes dos paquetes que cruzam os oceanos, até as Ilhas casas, embarcações feitas com Totora, vegetação do Lago Titicaca...
Texto do Pe. Cláudio Orestes, publicado em 24.12. 1940 na Revista “O Natal”
A Revista faz uma apresentação, sob uma foto do época de Pe. Cláudio : Padre Cláudio Orestes - Uma das mais brilhantes inteligências de Alagoas, professor do Seminário da Arquidiocese de Maceió e ilustre auxiliar da Catedral. Esta revista insere neste número o belo artigo: "Bondade de Jesus".
ENTÃO, É NATAL...
Natal do Senhor, nosso amado, sentido primeiro e último de nossa existência. Nosso Deus e Salvador, nosso amado e amante eterno. Sim, Ele nos ama eternamente. A você que se sente só, triste, sem ninguém para compartilhar a existência – sorrisos e lágrimas, sofrimentos e alegrias, dores e tristezas – acredite que Ele, nosso Deus feito homem, está conosco, comigo e com você, pois Ele não suportou estar longe de nós fisicamente e, por isso, se rebaixou a nossa condição humana e se fez um de nós. “[...] o verbo se fez carne a habitou entre nós” (Jo, 1, 1ss). Isso é o Natal! O Deus eterno, criador, onipotente e amante incondicional veio até nós para nos dizer: “ei, você meu filho que está triste diante de tantos sofrimentos e angústias deste mundo, não se angustie porque eu estou aqui com você, vim lhe fazer companhia, pois te amo”. Eis o Natal. É a prova do amor de Deus.
Quando a Igreja oficializou o Natal no dia 25 de dezembro, por volta do século IV, não podia ter pensado em uma data melhor, pois era a festa dos pagãos que adoravam o deus sol, e a Igreja mostrou aos pagãos que o verdadeiro Sol é Cristo, que nos veio visitar e veio no Natal. Com isso os pagãos in mundi romanorum (no mundo dos romanos) começaram a entender que Cristo era a verdadeira felicidade. Por que estou falando desse ponto histórico? Porque vivemos em uma época análoga, mas não igual. Análoga, pois as pessoas, assim como os romanos pagãos, cultuam outros deuses no Natal: presentes, consumo desordenado, farras e festas vazias... E o principal que é Cristo foi trocado pelo Papai Noel, invenção capitalista de uma campanha publicitária da Coca Cola no ano de 1931 nos Estados Unidos. Contudo, o homem e a mulher sem Cristo ficam no vazio psíquico. Só o menininho, pequeno, doce, indefeso nascido no dia 25 pode preencher o coração humano que busca o eterno. Ninguém e nada pode dar um sentido verdadeiro ao ser humano além de Cristo. Os intelectuais da moda: juristas, filósofos, sociólogos, antropólogos, psicólogos e todos os demais ólogos, por mais necessários que sejam a nossa vida diária não são insubstituíveis nem essências como Cristo Senhor.
Vejamos então o quão importante é o Natal para toda a criatura humana, crente ou não crente, pois é nesse Tempo Santo que vivenciamos e recebemos o próprio Deus em nossa vida. Aí sim, o morador de rua que dorme no frio da Praça Deodoro pode saber que existe um Deus que o ama e que também não teve uma cama gostosa para dormir ao nascer; o doente terminal pode se soerguer das suas dores terríveis de morte e olhar nesse menino um sentido além desta vida para ser feliz, a esposa que sofre com um marido desmantelado e/ou vice versa enxergará que Deus está com ela/ele, um órfão que perdeu os pais entenderá que, por mais terrível que pareça a vida, Deus está com ele. Acredite meu irmão e minha irmã, seus sofrimentos e angustias, Deus sabe e lhe ilumina-o pelo caminho tenebroso, o problema é que em nossa teimosia não buscamos o menino que nasceu no Natal, mas apenas em nosso desespero e solidão. Esse menino que nasceu no Natal cresceu, pregou, morreu e ressuscitou por mim e por você e deixou uma Igreja na qual nós somos acolhidos com amor e carinho em cada sacramento principalmente na Eucaristia e na Confissão. Então basta que você abra seu coração e entregue-se a este amor. Então é Natal... E Feliz Natal!
Mais Eventos - Crisma 2011
Em 28 de dezembro, às 19h30min, haverá uma missa especial, com a presença do Arcebispo Metropolitano de Maceió Dom Antônio Muniz para conferir o Sacramento da Crisma a um novo grupo de jovens, preparados pela Catequese Paroquial.
O Sacramento da Crisma, também chamado de Sacramento da Confirmação, constitui o conjunto de ‘’Sacramentos de Iniciação Cristã’’ e é necessária à consumação da graça batismal. A Crisma é inseparável do Batismo. Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, são considerados pela Igreja Católica como sendo os "sacramentos da iniciação cristã". A imposição das mãos é reconhecida pela tradição católica como a origem do sacramento da Confirmação.
O sacramento deve ser ministrado por um Bispo, ou por delegação especial, um padre. No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente depois do Batismo; é seguido da participação na Eucaristia, tradição que põe em destaque a unidade dos três sacramentos da iniciação cristã. Na Igreja latina administra-se este sacramento quando se atinge a idade da razão, e normalmente se reserva sua celebração ao Bispo, significando assim que este sacramento corrobora o vínculo eclesial.


Meditação
O NATAL ESTÁ PRÓXIMO
Simão Boscheco
Nas próximas semanas a Liturgia - especialmente na celebração Eucarística - vai nos preparar para vivenciarmos o Mistério da Encarnação de Deus, nascimento de Jesus, “NATAL!” É Advento, que significa “o que está por vir”. Para que o Natal seja realmente um Natal cristão, deve centrar-se na Pessoa de Jesus Cristo, hoje não mais Menino Jesus mas na realidade Rei do Universo, sentado à direita de Deus Pai e presente no meio de nós que formamos o Seu Corpo Místico e presente na Eucaristia, memorial da sua paixão, morte e ressurreição.
A Liturgia para cada celebração usa de símbolos, imagens, metáforas. Até cada Sacramento tem um sinal sensível. No Advento, o símbolo mais significativo são quatro velas dispostas sobre uma grinalda confeccionada com ramos verdes e fitas vermelhas. Em cada domingo, antes da Missa, ascende-se uma das quatro velas. A cor da vela vai significar a vigilância porque Nosso Senhor virá, a outra vai nos convidar sobre o profundo e verdadeiro significado do Natal. Outra ainda vai nos convidar a lembrarmos a fé dos antigos Patriarcas e Profetas, acentuando o Precursor João Batista. A cor rosa de uma das velas ao ser acesa vai lembrar-nos a chegada de Jesus. É o domingo da alegria. No Advento, aparece forte Nossa Senhora, Imaculada Conceição, Mãe de Jesus, Mãe de Deus!
As velas da grinalda querem dizer que “Natal é luz”, querem dizer que “Jesus é a luz do mundo”. Ele mesmo mais tarde vai afirmar: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue jamais andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
As cidades, as casas já estão se enfeitando de luzes. Algumas simples e humildes; outras luxuosíssimas, ostentosas, grandiosas. Para participar do Natal de Gramado – RS, os ingressos já estão esgotados! Na Rua das Flores, em Curitiba – PR, os lugares e as janelas dos prédios estão disputados para ver e ouvir centenas de crianças carentes, treinadas e ensaiadas, lindamente vestidas, cantando canções de Natal para a multidão que reza e chora de emoção.
É mais de um século que numa Paróquia interiorana na Áustria, um Pároco para dispersar o clima de tristeza de um “após-guerra”, que mesmo no aproximar-se do Natal reinava nos seus paroquianos, criou uma canção que até hoje é cantada em todas as línguas: “Noite Feliz”, “Noite de Luz....!”
Eu reflito: A minha cidade, o meu prédio já estão enfeitados de luzes, árvores, estrelas. No ar parece ouvir-se: “É Natal!” A luz venceu e dissipou as trevas!” No Advento é tempo de enfeitar o próprio coração.
O Precursor, o último dos Profetas vai gritar: “Endireitai os caminhos do Senhor”. “Arrependei-vos dos vossos pecados”. São João Batista será o grande pregador para enfeitarmos o nosso coração, o coração da nossa família, o coração da humanidade. Não ao egoísmo, não ao consumismo e sim à partilha, à fraternidade. Sim ao “Feliz Natal”, Natal de luz do mundo, luz da vida: Nosso Senhor Jesus Cristo!
DEPOIS DE UNGIDO O DOENTE MELHORAVA
Profº Benedito Ramos
Como já relatei em texto anterior, a lição de sineiro dada pela zeladora da igreja começou a fazer parte de um processo quase habitual na vida daquele bairro longevo de Penedo. Eu, rapidamente, integrei-me. Principalmente, porque comecei a acompanhar o Padre Luiz na unção dos enfermos, sacramento conhecido na minha época como “Extrema Unção”. Geralmente, era ali mesmo no bairro, o padre recebia o chamado, paramentava-se com um roquete e uma estola, abria o sacrário para retirar uma hóstia que colocava num pingente e pendurava ao pescoço, depois abria uma gaveta da sacristia e pegava o óleo da unção. Eu ficava observando todo aquele ritual demorado e paciente, onde ele vez por outra se benzia, rezava ou fazia genuflexão. Eu seguia o sacerdote, sempre puxando uma conversa, até a casa do enfermo.
Daí por diante, eu ficava - geralmente - na primeira sala ou encostado à porta quando a casa era muito pequena. O padre não consentia acompanhá-lo, embora eu morresse de curiosidade para ver o que ele fazia lá dentro. Mas um silêncio solene tomava conta do ambiente. Ali ninguém conversava, nem ria tampouco fazia qualquer comentário. A presença do padre para assistir um moribundo era como uma graça de Deus.
Nos meus dez anos, eu não tinha esta mesma visão do verdadeiro significado da morte. Para mim quando o padre saísse do quarto a pessoa já teria morrido e seria mais um sino para tocar. Porém não era bem assim. Mal o padre chegava à sala, eu já estava perguntando: - morreu? – O padre nem respondia à pergunta absurda e saía puxando o meu braço a fim de evitar outra ainda pior. Ele não entendia a importância daquela informação. Eu estava na linha de frente e outro menino viria depois e ficava sabendo primeiro do que eu. Era em vão todo aquele trabalho de seguir o padre naquele ritual todinho e nada. Mas o jeito era ficar atento e esperar outro chamado. E como eu morava mais perto da igreja, tinha esse privilégio.
Foi numa dessas que, inocentemente, acompanhei o padre a outra extrema unção. Não sabia nem onde era até que a rua foi ficando familiar e enfim a mesma casa. A esta altura já estava tão recomendado para não falar nada que o jeito era ficar ali mesmo sentado numa cadeira esperando o padre sair do quarto. Foi demais! Demorou muito! E diziam que quando demorava era porque o moribundo tinha pecado demais. Eu já não aguentava mais de tanta impaciência, já havia contado os caibros duas vezes, quando o padre saiu, com a testa suada. Mas pela falta de choro, ainda não era daquela vez. E foi demais para mim que não resisti em afirmar categoricamente: - Padre é a terceira vez que o Senhor vem aqui e Dona... ainda não morreu. Puxa vida! – Soube mais tarde, de minha mãe, quando voltei a fazer a reclamação, que - geralmente - após a unção derradeira, o doente tinha uma melhora muito grande, às vezes ainda vivia muito.



