História da Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo

A Casa da Amizade foi criada em 1964, pelas esposas dos rotarianos de Penedo com o objetivo de ajudar as classes menos favorecidas. Vivem ainda, em Penedo, várias senhoras como a Dona Francisca Gonçalves, Dona Leda, Dana Maria Lucinda, que foram mullheres de rotarianos, fundadoras da Casa da Amizade e que ainda fazem parte do grupo.  
Na época, tinha como principal finalidade arrecadar e distribuir remédios e conseguir moradia para as pessoas que viviam nas ruas. Os maridos médicos conseguiam amostras grátis de remédios, prescreviam receitas e as esposas faziam a distribuição  deles para pessoas carentes. Da mesma maneira, as senhoras fundadoras tinham influência junto ao prefeito, vereadores, deputados que conseguiam verbas para atender a parte de moradias.
Com o passar dos anos, o  Governo passou a cobrir estes serviços, com os Postos de Saúde e a atender à falta de moradias com vários programas habitacionais. A Casa da Amizade foi se adequando aos novos tempos, juntamente com as esposas dos rotarianos,  onde, hoje, a maioria trabalha em sua profissão, restando pouco tempo para os serviços comunitários e sociais.


Gestão Francisca Lima Lessa Lobo

Em 1990, o Dr Valmir Lessa tem a incumbência de assumir a presidência do Rotary, para a gestão 90/91, mas coloca como condição que a sua esposa Francisca, assuma o cargo de presidente da Casa da Amizade dos Rotarianos de Penedo, cujo cargo era ocupado, como primeira escolha, pela esposa do presidente do Rotary, no período de seu mandato.
A Sra Lessa fez uma avaliação das atividades filantrópicas que poderia desenvolver, na sua gestão. Verificou que havia muitos meninos nas ruas de Penedo, em situação de risco, os quais necessitavam apenas de uma oportunidade e incentivo para conseguir o seu primeiro emprego e ser encorajados a abraçar uma profissão... A primeira providência foi a de firmar convênio com as empresas públicas, bancos, comércio, etc com a finalidade de abrir o maior número possível de vagas de empregos destinados a esses garotos. Os resultados foram bem acima das expectativas e essa ação se estendeu até 1996, quando  Francisca deixou a diretoria da Casa da Amizade, depois de ser sido presidente e diretora em três mandatos consecutivos.


Comunidade Camartelo

Em 1996, Francisca Lessa foi convidada a comparecer em uma reunião de bairro,  na comunidade de Camartelo, que tinha como objetivo ajudar, de alguma forma, as mulheres moradoras do local que sofriam com a discriminação; pois ,antigamente, fora uma região do baixo meretrício de Penedo.
Francisca lembra que na reunião e nos arredores viu mulheres necessitadas, ociosas, desmotivadas, sofridas e sem perspectivas de  melhoras. A simples doação de um pouco de dinheiro não seria uma solução. Conta ela:
“Eu, na minha infância e juventude, tive uma vida sacrificada”. Meus pais eram muito pobres, foram criados na roça. Minha mãe, Rita Cessário, hoje, com 79 anos, sempre foi uma ótima bordadeira e, desde os meus sete anos, me ensinou a arte do bordado, com o qual, já na cidade, me sustentou e me ajudou a ser engenheira agrônoma da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Condesvaf). O bordado sempre foi o meu passatempo favorito. Naquele momento, pensei: Por que não transmitir esta experiência de vida e ajudá-las a ter uma atividade e meios de sustentação?
Ainda na reunião, expus minha ideia e me propus a criar grupos de mulheres  a fim de que eu as ensinasse a arte do bordado. Na mesma hora, elas aceitaram. A dificuldade agora estava no material para darmos início às aulas. Fizemos um ofício para a Prefeitura de Penedo, em nome da futura Associação, solicitando o material em doação. Com a Prefeitura, conseguimos R$300,00, valor este que foi transformado em agulhas, tecidos  e linhas. As aulas começaram, as mulheres foram tomando gosto pela coisa, mas tudo era  ainda muito difícil.’’- conclui, Francisca Lessa.
 
Em 2000, novamente o Dr Valmir Lessa foi reconduzido à presidência do Rotary de Penedo. Francisca volta a assumir a Casa da Amizade, com total apoio dos rotarianos e suas esposas que acompanharam o trabalho de Francisca na sua primeira gestão frente à Casa da Amizade. Sua reivindicação junto às companheiras foi a de incluir na Casa da Amizade o Projeto Em Busca de Vida e ARTE VIVA criados com a ajuda da companheira Martha Marthires e sua mãe Rita. Seu foco que era a Comunidade de Camartelo passou a ser o de Penedo. O ainda Projeto obteve um grande impulso com o apoio das companheiras e as Bordadeiras passaram a ter mais atenção em termos de saúde, vida social, educação e principalmente na arte de negociar e gerar renda.


Técnicas

Em uma visita a Penedo, em um expedição de Saúde,Ação Social e de Cidadania nas comunidades ribeirinhas, a artesã mineira Sávia Dumont, do Grupo Matizes Dumont, que já conhecia Francisca, convidou as meninas do projeto para participar das oficinas de design para bordados, cujos temas foram inspirados na arquitetura de Penedo, Rio São Francisco com seus barcos típicos, folguedos, religiosidade, história, etc.
Em um retorno, Sávia viu uma colcha sendo bordada pelas bordadeiras de Penedo, com “pontos” que ela ensinara na oficina. No mesmo momento, comprou a colcha e se ofereceu trazer para Penedo o Projeto Bordando o Brasil, patrocinado pelo Banco do Brasil.
O Projeto tem dois objetivos: Organizar ou Fortalecer as associações de bordadeiras espalhadas por todo o Brasil. Sua ideia é o de levar o  “bordado”  pelo mundo, como forma de divulgar as regiões onde são produzidos, “fotografando” ,por intermédio dos desenhos formados pelos bordados, o que é mais valorizado na localidade de origem, como sua economia, fauna, flora, folclores, costumes, etc.  
Diferentes de explorá-lo economicamente. Mas a principal benfeitoria deste, foi o de organizar a Associação.
 AISBOPE, constituída em 6 de junho de 2005, foi  reconhecida de fato e de direito, como pessoa jurídica, com o objetivo de  “acolher as bordadeiras e demais artesãos de Penedo, tanto da zona urbana quanto da rural que participem dos projetos “Em Busca de Vida” e “Arte Viva”“.


Prêmios

A Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo, nestes 13 anos de existência, vem colecionando prêmios pela sua atividade na inclusão social de pessoas menos favorecidas, bem como divulgar e encentivar a arte do bordado.  
2007 – A Associação participou do Prêmio “Mulher de Negócios 2007” do SEBRAE, tendo sido selecionada como representante do Nordeste, ficando entre as 20 finalistas do Prêmio Nacional.
2009 – Top 100 - O Prêmio SEBRAE TOP 100 de Artesanato tem como objetivo reconhecer e valorizar o trabalho realizado por artesãos de todo o País, selecionando as 100 unidades produtivas mais competitivas do Brasil.
Estética, arte e cultura são importantes para a confecção de peças artesanais, porém, o que diferencia o TOP 100 de Artesanato da maioria dos prêmios é o fato da avaliação ir além destes requisitos e levar em conta processos produtivos com foco no mercado.
Os benefícios oriundos do Top 100, para a Associação foram e continuam sendo inúmeros. O Prêmio abriu as portas para as consultorias do SEBRAE nos campos econômico-financeiro, administrativo, moda, técnicas de confecção, desenhos, inclusive de “relacionamento comercial”, a fim de melhorar as vendas. O SEBRAE adotou a Associação dando apoio total em consultorias e planejamento estratégico.
A publicidade institucional em várias mídias, por intermédio do SEBRAE, fez da Associação conhecida em todo o Brasil. Quando do evento de Premiação do TOP 100, realizado no Rio de Janeiro, a presidente da AISBOPE conheceu Renata Fontan, da Caleidoscópio de Maceió, também Top 100,  a qual passou a vender na sua loja, os bordados da Associação. Em seguida, Renata apresentou para Christine Fernandes, da Casa da Indústria, responsável pela área de exportação, a qual convidou a Associação a fim de participar de uma “Rodada de Negócios” com o objetivo de facilitar a venda de seus produtos para o mundo.  Com isso, a Associação passou a fazer parte da lista de empresas e entidades apoiadas pela Casa da Indústria, participando dos cursos, encontros, feiras, reuniões e rodadas de negócios patrocinados pela Casa da Indústria.  .
Neste momento, a Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo está empenhada em atender a três projetos:
- SEBRAE – Projeto Brindes Corporativos (cujo catálogo será lançado em abril 2011)
- CASA DA INDÚSTRIA – Projeto Exporta Alagoas
- PREFEITURA DE PENEDO – SECRETARIA DE TURISMO – Projeto suvenir de Penedo.


Espaços

A Casa da Amizade não tinha um espaço próprio, até porque, no início, as fundadoras faziam de suas casas, parte da Casa da Amizade, onde se realizavam as reuniões, ações como a de estocar remédios, roupas, etc... Desde o início da Associação das Bordadeiras (Camartelo), a oficina de bordados e cursos às bordadeiras eram ministrados na residência da presidente, Francisca Lessa, o estoque de mercadoria ficava no portamalas do seu carro...


Sala no Mercado do Artesanato


Em 1998, quando a prefeitura de Penedo criou o Mercado do Artesanato, em frente às balsas, a Casa da Amizade alugou uma sala para ser a sua sede. Entretanto, as bordadeiras continuavam a fazer seus artesanatos nas próprias casas.  


Sobreloja Centro

Um novo projeto passou a fazer parte da Casa da Amizade: A Escola de Balé. Uma parceria com a UNESCO possibilitou que as filhas das bordadeiras de Camartelo e  de outras partes da cidade tivessem aulas de balé como forma de integração social e atividade artística. Um espaço bonito e amplo foi alugado no centro histórico de Penedo para acomodar o grupo de dança. Entretanto, por preconceito, discriminação, rejeição, os comerciantes das lojas no térreo, não permitia que as meninas circulassem ou aguardassem o início das aulas em frente aos estabelecimentos comerciais. Os problemas e as reclamações gerados foram tantos que a Casa da Amizade desistiu do ponto, após quatro aulas.
Uma nova ideia foi proposta a fim de acomodar o Projeto da Escola de Balé.


Casa Vizinha


Ronaldo Lessa, então governador do Estado, lançou a Campanha Cidadão Nota 10. Sabendo que a Casa da Amizade poderia ser uma beneficiária dos valores gerados pelo percentual de arrecadação do ICMS provenientes da arrecadação de notas fiscais que fossem depositadas nas urnas das entidades filantrópicas inscritas no SEFAZ, Francisca inscreveu a entidade de Penedo, providenciou as urnas, distribuiu-as no maior número possível de pontos comerciais. O trabalho, durante a campanha, foi árduo, recolhendo notas e somando os valores, para mandar à Secretaria da Fazenda, em Maceió. O resultado da campanha resultou em R$ 63 mil reais, reservados  à reforma do Sobrado Gordo, que seria a sede da  Casa da Amizade e também abrigaria a loja e as oficinas da AISBOPE.
Com não foi possivel juntar toda a soma nessessaria para a reforma e a o lado do Sobrado Gordo, havia uma casa desocupada e à venda, o valor foi uzado para comprar e reformar a casa ao lado e colocar o projeto em andamento. E assim, foi feito. Em 2007, a Casa Vizinha possou a ser a sede da Casa da Amizade, abrigando a Escola de Balé, Oficina de Esculturas em Gesso, Ateliê de Costura e Bordados.


Sobrado Gordo


Em 2004, o Dr. Eduardo alerta sobre o Sobrado Gordo, que seria a sede da  Casa da Amizade e também abrigaria a loja e as oficinas da AISBOPE.
Lessa, esposo da Francisca, era o Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Penedo. Dr Eduardo Regueira o diretor de Patrimônio, alertou aos diretores que o Sobrado Gordo, de propriedade da Santa Casa, vazio há anos, corria o risco de ter seu telhado e até mesmo algumas paredes desabados, devido à falta de manutenção. Sem nenhuma perspectiva de uso imediato, entendeu-se que a melhor opção seria a de ceder para a Casa da Amizade, sob o regime de comodato, a posse do imóvel que serviria para uma entidade filantrópica a qual faria bom uso em prol da comunidade penedense.
A arquiteta Gabriella Lessa, filha de Francisca, graciosamente executou um belíssimo projeto, orçado em 300 mil reais. A diretoria da Casa da Amizade  iniciou uma campanha com a finalidade de angariar verbas para uma reforma completa no imóvel.
Todas as empresas de porte que pudessem colaborar com a reforma do imóvel foram contatadas e receberam o Projeto da Casa da Amizade, sem resultados...Entendiam elas que, por se tratar do Rotary e por ser esta instituição formada por pessoas de posse da cidade, não precisavam  de ajuda para tal projeto.
Ainda em 2007, por ter a Casa da Amizade adquirido a Casa Vizinha ao lado Sobrado Gordo, as pretenções com relação à reforma deste, esfriaram em função da diretoria da Casa da Amizade entender que seria muito difícil conseguir o valor estimado para a sua reforma.
Na época, o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional que havia selecionado Penedo como um polo de Preservação do Patrimônio Cultural e procurava  um local para instalar o primeiro Albergue da Juventude, de Alagoas. Mário Aloisio, arquiteto penedense e atual superintendente do IPHAN em Alagoas, viu no Sobrado Gordo o local ideal para implantar o Albergue e, ao mesmo tempo, parte da Casa da Amizade. Tendo a Casa da Amizade como administradora do Albergue.
No prédio, o pavimento superior e parte do andar inferior acomoda o Albergue da Juventude. A Casa da Amizade tem uma loja de artesanato/bordados, com espaços direcionados para a prática de oficinas culturais. A sede da AISBOPE, que fica localizada ao lado do prédio recuperado pelo IPHAN, continuará a abrigar as aulas de balé, ensino direcionado às meninas do bairro Camartelo, crianças e adolescentes de famílias de baixa renda, e também a confecção de réplicas de fachadas dos prédios históricos de Penedo.
Francisca Lessa afirma que a ida de algumas ações da Casa da Amizade para o Sobrado Gordo completa, juntamente com a Casa Vizinha, um antigo sonho de ampliação dos trabalhos da Associação que atende a centenas de crianças carentes em Penedo com o desenvolvimento de ações socioculturais, além de espalhar os bordados e as réplicas dos prédios históricos da cidade por várias partes do mundo.